Seppuku

Não há nada que sacie essa fome, 
não há nada que preencha esse vazio,
não há o que supra essa falta... 

Viver tem sido observar esse espetáculo de horrores,
suportar essa dor que dilacera.
Faço parte desse espetáculo,
num eterno abrir e fechar de olhos,
um caminhar em círculos,
uma privação de tudo que é essencial,
uma busca desmedida pelo que é supérfluo.

Não sei como isso foi acontecer,
acordei e me vi perdido de desejos por você.
Me odiei por isso.

Quando há muito tempo percebi que não tinha mais nada,
fechei meus olhos e foi o fim de muitas ilusões.
Desde então, sempre que fechava meus olhos podia ver a mim mesmo, ali, solitário...
Mas ai você apareceu e quando fechei meus olhos não pude me ver,
minha própria imagem havia desaparecido
e eis que você preenchia até mesmo a escuridão de meus pensamentos.

Agora - medo, raiva, angustia, inquietação, tristeza, desespero, desamparo -
uma vertigem visceral e desesperadora,
uma vontade de enlouquecer
que somente seria tão forte em um louco.

É fato que me perdi, mesmo depois de já ter perdido tudo.

Um grito mudo de socorro que só é capaz de ecoar em ouvidos surdos,
um horizonte que se mostra tão próximo para olhos cegos,
ou talvez distante.

Você é a luz que me tornou cego
na escuridão que outrora me iluminava.
Você é o banquete que me tornou faminto
ao substituir as migalhas que me nutriam.

Cego, faminto, louco...
Incapaz de dar um fim a esse desespero. 

Sigo sem vida, com a vida pulsando em cada batimento
desse coração que não possuo.
Odeio a vida pelo mesmo motivo de odiar você,
pelo excesso de amor e desejo que possuo por ambos.

Alex Rodrigo
Escrito para Bianca Marigo em Maio de 2012.



Nenhum comentário:

Postar um comentário