Shakespeare

Eu, de mim, considero-me mais ou menos honesto, mas poderia acusar-me de tais coisas, que teria sido melhor que minha mãe não me houvesse dado à luz. Sou orgulhoso, vingativo, cheio de ambição, e disponho de maior número de delitos do que de pensamentos para vesti-los, imaginação para dar-lhes forma, ou tempo para realizá-los. Para que rastejarem entre o céu e a terra tipos como eu? Todos somos consumados velhacos; não deves confiar em ninguém. (Hamlet)

11/06/2012

Penso em você, e sei que existe algo de insano nisso tudo. Já nem me lembro como foi que aconteceu, tudo que sei é que a cada dia te quero mais. Esse amor furtivo esta me consumindo dia após dia e os poucos momentos que passo ao seu lado só têm aumentado o desejo de te ter. O desejo por seus beijos me alucina, a lembrança do teu corpo encostado no meu, nossos suores se misturando, sua pele, seu cheiro - todas essas lembranças me embriagam. Sigo meu dia atordoado pela ânsia de ter você envolvida em meus braços e meu atordoamento piora quando você esta ao meu lado e tenho de controlar o meu impulso de me apoderar de ti.
Acho que nunca vou saber ao certo o que sou pra você, mas, sei toda a extensão do que sinto quando te vejo e esse sentimento é quase palpável.

Alex Rodrigo
13/06/2012 - Bianca

Arrepios

Nada como aquela sensação de hiperconsciência arrepiante no corpo inteiro, a sensação física de sensibilidade aumentada - o coração literalmente batendo mais rápido - sempre que a pessoa amada esta perto, a idealização incólume do objeto desejado, que nunca desaponta porque nunca é realmente conhecido.

Alex Rodrigo
Primeiros momentos - Bianca - Maio 2012

Talita (transição)

Quem é você deitada em meu leito?

Seu corpo não me é estranho e
sua pele tem uma maciez, uma delicadeza,
que tenho certeza já provei.

Seu toque, por vezes, me incomoda,
mas, quando toco em você,
me lembro de velhos fantasmas,
que insistem perambular em minha mente.

Sua face me é totalmente alheia, estranha... 
Seu perfume me agrada,
mas, o cheiro que exala de ti na hora do amor, 
me é algo como que repulsivo...

Prossigo por instinto - desejo carnal - aqui nesse quarto,
a razão há muito já me abandonou
e meu espirito - sentimento - voou para procurar sua metade,

metade, que para o instinto é indiferente,
metade, que a razão nega.

Ah, se essa maquina a que chamo de corpo fosse comanda por meu espirito! 
Assim sendo, levaria meu corpo livre,
a buscar aquela que tanta falta faz na hora de dividir meu leito.

Não! Estou condenado a ficar preso! Prisão que consiste nessa terra demoníaca 
em que todos os humanos são lançados - a divisão de um único invólucro corporal, 
para três substancias tão distintas:
instinto, razão e espirito. 
Onde começa e onde termina o reinado de cada uma dessas substancias?

Alex Rodrigo
Em Maio de 2012

Seppuku

Não há nada que sacie essa fome, 
não há nada que preencha esse vazio,
não há o que supra essa falta... 

Viver tem sido observar esse espetáculo de horrores,
suportar essa dor que dilacera.
Faço parte desse espetáculo,
num eterno abrir e fechar de olhos,
um caminhar em círculos,
uma privação de tudo que é essencial,
uma busca desmedida pelo que é supérfluo.

Não sei como isso foi acontecer,
acordei e me vi perdido de desejos por você.
Me odiei por isso.

Quando há muito tempo percebi que não tinha mais nada,
fechei meus olhos e foi o fim de muitas ilusões.
Desde então, sempre que fechava meus olhos podia ver a mim mesmo, ali, solitário...
Mas ai você apareceu e quando fechei meus olhos não pude me ver,
minha própria imagem havia desaparecido
e eis que você preenchia até mesmo a escuridão de meus pensamentos.

Agora - medo, raiva, angustia, inquietação, tristeza, desespero, desamparo -
uma vertigem visceral e desesperadora,
uma vontade de enlouquecer
que somente seria tão forte em um louco.

É fato que me perdi, mesmo depois de já ter perdido tudo.

Um grito mudo de socorro que só é capaz de ecoar em ouvidos surdos,
um horizonte que se mostra tão próximo para olhos cegos,
ou talvez distante.

Você é a luz que me tornou cego
na escuridão que outrora me iluminava.
Você é o banquete que me tornou faminto
ao substituir as migalhas que me nutriam.

Cego, faminto, louco...
Incapaz de dar um fim a esse desespero. 

Sigo sem vida, com a vida pulsando em cada batimento
desse coração que não possuo.
Odeio a vida pelo mesmo motivo de odiar você,
pelo excesso de amor e desejo que possuo por ambos.

Alex Rodrigo
Escrito para Bianca Marigo em Maio de 2012.



Shakespeare

"Ser ou não ser... Eis a questão. Que é mais nobre para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes? Morrer... dormir... mais nada... Imaginar que um sono põe remate aos sofrimentos do coração e aos golpes infinitos que constituem a natural herança da carne, é solução para almejar-se. Morrer... dormir... dormir... Talvez sonhar... É aí que bate o ponto. O não sabermos que sonhos poderá trazer o sono da morte, quando ao fim desenrolarmos toda a meada mortal, nos põe suspensos. É essa ideia que torna verdadeira calamidade a vida assim tão longa! Pois quem suportaria o escárnio e os golpes do mundo, as injustiças dos mais fortes, os maus-tratos dos tolos, a agonia do amor não retribuído, as leis amorosas, a implicância dos chefes e o desprezo da inépcia contra o mérito paciente, se estivesse em suas mãos obter sossego com um punhal? Que fardos levaria nesta vida cansada, a suar, gemendo, se não por temer algo após a morte - terra desconhecida de cujo âmbito jamais ninguém voltou - que nos inibe a vontade, fazendo que aceitemos os males conhecidos, sem buscarmos refúgio noutros males ignorados? De todos faz covardes a consciência. Desta arte o natural frescor de nossa resolução definha sob a máscara do pensamento, e empresas momentosas se desviam da meta diante dessas reflexões, e até o nome de ação perdem. Mas, silêncio!...." Hamlet